
Uma grande cidade fortificada no norte de Canaan. Hazor é mencionada pela primeira vez em textos de Ebla do período pré-patriarcal. Surge em registos egípcios como Hdr, primeiro em textos do século XIX AC e depois em inscrições de Thutmose III e Ramsés III. Nas Cartas de Amarna e em tabuínhas cuneiformes descobertas em Hazor, aparece como Hazura e nos arquivos de Mari, no Eufrates, como Hasura. A sua importância nos períodos iniciais pode ser vista no facto de, nos registos de Mari que datam do período patriarcal, ser uma das duas cidades da Palestina a ser mencionada (a outra é Laís). A cidade foi tomada por Josué e queimada (Js 11:1-13; Js 12:19), sendo depois atribuída à tribo de Naftali (Js 19:36). Contudo, os hebreus não parecem tê-la mantido por muito tempo em seu poder, uma vez que, mais tarde, foi a sede do governo de um forte rei cananeu que durante vinte anos oprimiu as tribos do norte de Israel no período dos juizes (Jz 4:2,3). Baraque, um juiz, e Débora, uma profetiza, conduziram os israelitas numa bem sucedida batalha contra Jabim, rei de Hazor e o seu capitão Sísera (Jz 4:4-24). Foi provavelmente esta Hazor que foi fortificada por Salomão (1Rs 9:15) e cuja população foi transportada para a Assíria por Tiglath-Pileser III, por volta de 732 AC (2Rs 15:29).
O local foi identificado por J. Garstang, em 1928, com o outeiro Tell el-Qedah, ou Tell Waqqâs, na Planície Huleh. Entre 1955 e 1958 e novamente em 1968, foram levadas a cabo sucessivas e bem sucedidas escavações sob a direcção de Yigael Yadin. Os relatórios preliminares dizem que a cidade teve uma história complicada antes de ser finalmente abandonada no século II AC. Os arqueólogos declaram que a cidade terá sido destruída, uma das vezes, no tempo de Thutmose II ou Amenhotep II, no século XV AC. Se o êxodo se deu em meados do século XV AC e a invasão de Canaan mais para o final do mesmo século, de acordo com a cronologia adoptada neste dicionário a destruição, atribuída por Yadin a Thutmose III ou Amenhotep II, poderá ter sido levada a cabo por Josué. Uma destruição que terá ocorrido mais tarde, por volta do século XIII, é considerada pelos arqueólogos como tendo sido levada a cabo por Josué mas também será razoável se admitirmos que foi empreendida pelos israelitas sob as ordens de Baraque e Débora. É possível que Baraque tenha tomado Hazor depois de ter derrotado o exército do capitão de Jabim - Sísera. As escavações também mostram que Hazor foi reconstruída no tempo de Salomão, passando a ser uma cidade fortificada, tendo sido levadas a cabo, por Acaz e pelos seus sucessores, algumas obras adicionais. Esta cidade foi totalmente destruída em 732 AC por Tiglath-Pileser III, tendo sido reconstruída uma vez mais e habitada nos períodos árabe, persa e helenístico.
As escavações puseram a descoberto dois tempos cananeus, muitos objectos de interesse pouco usual, entre os quais se encontravam algumas colunas, esculturas, estandartes de bronze chapeados a prata e materiais inscripcionais. A descoberta mais importante, feita em 1968, foi o sistema subterrâneo de transporte de água construído no século IX AC. É composto por um poço cilindríco com cerca de 16 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade. No fundo do poço, começa um túnel inclinado com cerca de 4,5 metros de altura e 35 metros de comprimento e termina num tanque. Toda esta instalação testifica da importância de Hazor no tempo dos reis hebreus.
