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JUDÁ, TRIBO DE


O nome aparece em registos cuneiformes como Yaudu, Yahudu e Yakudu e também, na sua forma aramaica, no Papiro Aramaico de Elefantina, do século V AC, assim como em antigas moedas hebraicas e asas de cântaros encontradas na Palestina. Era o nome oficial da província persa estabelecida por Ciro (Ed 5:8). O termo “Judá” na Bíblia - para além de ser um nome próprio - pertence a três estádios da história hebraica: primeiro a tribo descendente de um dos doze filhos de Jacó, mais tarde o reino composto principalmente por esta tribo e finalmente o povo judeu repatriado após o exílio. Historicamente, esta terceira situação era uma continuação do reino de Judá, composto pelo remanescente do povo hebreu - agora chamados judeus - e que passaram a viver na Palestina. Deixaram, contudo, de ser uma nação independente e passaram a estar sob domínio persa.

1 - A tribo de Judá - Os descendentes de Judá, o quarto filho de Jacó (Gn 29:32-35). Encontrava-se dividida em cinco famílias principais, três das quais descendiam dos filhos de Judá e duas dos seus netos (Nm 26:19-21; 1Cr 2:3-6). Naassom é mencionado como um príncipe da tribo de Judá, sob o comando de Moisés no deserto (Nm 1:7; Nm 2:3; Nm 7:12-17; Nm 10:14). Outro proeminente líder durante as vagueações pelo deserto foi Calebe, filho de Jefoné, que foi também o espia representando a sua tribo (Nm 13:6; Nm 34:19). Judá foi a primeira tribo a tomar posse do seu território após a morte de Josué. Com a ajuda da tribo de Simeão, os homens de Judá dirigiram-se para a região montanhosa da zona sul da Palestina Oeste, fizeram com que os cananeus deixassem muitas das suas cidades e ocuparam essas cidades e redondezas (Jz 1:1-20).

O território atribuído a Judá situava-se na zona sul de Canaan. Js 15:1-12 descreve as suas fronteiras, declarando que a fronteira sul começava na extremidade mais a sul do Mar Morto, passava pelo Deserto de Zim, ladeava Cades-Barneia, no sul e chegava ao “rio do Egipto”, o Wâdi el-‘Arîsh, seguindo até à sua nascente no Mar Mediterrâneo. A fronteira este era formada pelo Mar Morto. A fronteira norte começava na extremidade norte do Mar Morto, dirigindo-se primeiro para norte mas virando para oeste a sul de Jericó. Seguia depois para a Subida de Adunim, provavelmente o Wâdi Qelt e terminava em En-Rogel e no Vale de Hinom, a sul de Jerusalém. A partir daí, virava para noroeste, na direcção de Quiriate-Jearim, depois para sudoeste, na direcção de Bete-Semes e finalmente via Jabné (mais tarde Jamnia) para o Mar Mediterrâneo, que formava a fronteira oeste. Judá, contudo, nunca tomou posse da planície junto à costa que era, na sua maioria, ocupada pelos filisteus. O território de Judá encontrava-se geograficamente dividido em: ( região montanhosa (Js 15:48), densamente povoada na sua zona ocidental mas praticamente desabitada na secção oriental, onde pouco chovia e que formava o Deserto de Judá (vers. Js 15:61); ( as terras baixas e férteis (Shephelah) que se situavam entre a região montanhosa e a planície junto à costa (vers. Js 15:33; cf. 1Rs 10:21) e onde se encontravam as mais fortes cidades do país e (o Neguebe (Js 10:40), um estéril e quase árido deserto entre Berseba e Cades-Barneia. Embora a maior parte do território de Judá fosse montanhoso, adaptava-se perfeitamente à cultura de vinhas (cf. Gn 49:10-12), incluindo-se no seu território o Vale de Escol, a norte de Hebrom (Nm 13:23,24), que actualmente produz um excelente tipo de uvas. O Shephelah, por outro lado, era o celeiro de Judá e uma vez que a sua posse era de grande importância para o Estado de Judá, as suas cidades foram fortemente fortificadas.

Judá foi a tribo do segundo juiz (Otniel) que livrou a nação da opressão de Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmea, no início do período dos juizes (Jz 3:8-11>>). Judá juntou-se às outras tribos contra Benjamim (cap. Jz 20:1,18), aparentemente no início do período (ver Jz 20:28). No sentido geográfico, Judá, Simeão e Dã formavam uma unidade e estas tribos foram as que mais sofreram com a opressão dos filisteus, depois que esta nação passou a dominar no século XII a.C. (Jz 10:7; Jz 13:1). Mas Judá parece não ter tido uma grande participação nas guerras das outras tribos contra os vários opressores que ocuparam Israel no período dos juizes.

Quando Samuel estabeleceu o primeiro reino, Judá apoiou Saúl. Contudo, o facto de as suas forças serem mencionadas separadamente das outras tribos (1Sm 11:8; 1Sm 15:4; 1Sm 17:52), parece querer significar que, possivelmente como resultado de eventos históricos que desconhecemos, ou devido ao seu isolamento geográfico, Judá era considerada de forma diferente em relação às outras tribos, que parecem ter formado uma unidade. Após a morte de Saúl, David, um herói da tribo de Judá, foi feito rei em Hebrom, enquanto que as outras tribos seguiram Isbosete, o filho de Saúl. Esta divisão durou até à morte de Isbosete, sete anos mais tarde, quando os seguidores da casa de Saúl se viraram para David (2Sm 2:4; 2Sm 5:1-3), fazendo dele o rei de todas as doze tribos. Durante mais de sete décadas, o reino permaneceu sob o domínio da casa real. David mostrou-se prudente ao transferir a sua capital de Hebrom para Jerusalém (cap. 2Sm 5:5), uma cidade que não pertencera a ninguém até essa altura, situando-se, portanto, em território neutro, uma vez que a inveja tribal se encontrava sempre presente (ver cap. 2Sm 19:41-43).



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