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MOABE
Heb. Mô’ab.


Na Pedra Moabita surge como M’b e em inscrições cuneiformes como Ma’aba, Ma’ab e Mu’aba. Em textos hieroglíficos egípcios surge como Mib. O nome parece ser uma combinação entre Mô (= min), “do” e ’ab, “pai”, sendo uma referência ao facto de o antepassado da tribo ter nascido de um incesto. A nação dos moabitas. Os descendentes de Moabe. Os moabitas eram uma nação irmã dos amonitas (Gn 19:37, 38) e ambas tinham um parentesco distante com os Israelitas, uma vez que Ló, o pai de Moabe, era sobrinho de Abraão.

A tribo desenvolveu-se no sudeste da Transjordânia, onde Ló poderá ter vivido depois da destruição de Sodoma. Depois que se tornaram fortes, expulsaram os emeus e ocuparam-lhes o país (Dt 2:9-11), desde o ribeiro de Zerede (Wâdi el-Hesa), que desagua no Mar Morto, na sua extremidade mais a sul, até “às planícies de Moabe” (Nm 22:1), que se situavam a nordeste do Mar Morto. Contudo, pouco depois da chegada dos israelitas, Seom, um rei amorreu, tomou de Moabe o território a norte do Arnom (Wâdi el-Môjib) e estabeleceu a sua capital em Hesbom (cap. Nm 21:13, 26-30). Moabe estendeu-se, depois, desde o Zerede até ao Arnom.

Quando os israelitas chegaram à fronteira sul de Moabe, pediram permissão para atravessarem o país mas o pedido foi recusado (Jz 11:17). Uma vez que os edomitas, os moabitas e os amonitas eram aparentados com os israelitas, não foi permitido a Moisés atacar ou tomar qualquer parte do país destes povos (Dt 2:4, 5, 9, 19). Contudo, Balaque, o rei de Moabe, ficou alarmado quando os israelitas conquistaram o território do rei Seom, tornando-se, deste modo, vizinhos de Moabe, a norte. Temendo não conseguir vencê-los pela força das armas, contratou Balaão, esperando enfraquecer os hebreus através de maldições. Por intervenção divina, as maldições transformaram-se em bênçãos. Seguindo a sugestão de Balaão, as moabitas seduziram os israelitas para a idolatria e licenciosidade (Nm 22-25). Por causa disso, os moabitas foram excluídos da congregação de Israel até à 10ª geração e foi dito a Israel que se mantivesse longe deles (Dt 23:3-6; Nm 13:1, 2).

Durante o início do período dos juizes, os moabitas, no reinado do rei Eglom, invadiram o oeste de Canaã, tomaram Jericó, a “cidade das palmeiras” e oprimiram o povo de Israel durante dezoito anos. No fim deste período, Eúde, um benjamita, assassinou Eglom no seu palácio, expulsou os moabitas novamente para este e livrou o seu povo da opressão (Jz 3:12-30). Mais tarde, no período dos juizes, durante uma época de fome que assolou o oeste da Palestina, Elimeleque, um cidadão de Belém, mudou-se para Moabe, onde os seus dois filhos casaram com duas mulheres moabitas - Orfa e Ruth. Depois que os três homens morreram, Noemi (a mulher de Elimeleque) e Ruth voltaram para Belém, onde Ruth se tornou na mulher de Boaz e, por consequência, numa antepassada de David (Rt 1-4). Saúl teve problemas com os moabitas, sendo bem sucedido nas batalhas em que os enfrentou (1Sm 14:47). Quando David foi perseguido por Saúl, ele conseguiu que o rei de Moabe protegesse os seus pais (cap. 1Sm 22:3, 4), tratando-se possivelmente de um parente distante de Ruth. Contudo, David lutou contra os moabitas quando se tornou rei (2Sm 8:2, 11, 12; 1Cr 18:2, 11) e terá feito de Moabe um dos seu tributário. Após a ruptura do reino, Moabe parece ter-se aproveitado da fraqueza de Israel para conseguir a sua independência. Contudo, Onri, um rei forte, subjugou Moabe mais uma vez, forçando os moabitas a pagarem um pesado tributo anual a Israel (Pedra Moabita, linhas 4-8; 2Rs 3:4). Após a morte de Acabe, Messa, o rei de Moabe, rebelou-se contra Israel (2Rs 1:1; 2Rs 3:4, de Israel, tentou recuperar o seu domínio sobre Moabe. Induziu Josafat e o rei de Edom a juntarem-se-lhe na sua campanha. Embora os exércitos tivessem derrotado os moabitas, invadindo o seu país, destruindo muitas cidades e cercando a fortaleza de Quir-Haresete (Kerak), voltaram para as suas terras sem uma vitória determinada (cap. 2Rs 3:6-27). O rei Messa, de Moabe, aparentemente nessa altura, estendeu os seus domínios para norte e ocupou grande parte do território de Israel, tal como declara a Pedra Moabita. Mais para o fim do reinado de Josafat, os moabitas, juntamente com os amonitas e os edomitas, invadiram Judá. Contudo, Deus fez com que eles se destruíssem uns aos outros e Josafat, rei de Judá, só teve que recolher os despojos (2Cr 20:1-30). Os exércitos moabitas atacaram Israel por altura das colheitas que se seguiram e possivelmente antes da morte de Eliseu (2Rs 13:20). Estes ataques ilustram bem a hostilidade que os moabitas sentiram contra os seus vizinhos hebreus. Registou-se uma outra invasão no reinado de Joaquim (cap. 2Rs 24:2). Os profetas denunciaram amargamente esta nação hostil (Is 15; Is 16; Is 25:10; Jr 9:25, 26; Jr 25:17, 21; Jr 48:1-46; Ez 25:8-11; Am 2:1, 2; Sf 2:8-11). Contudo, alguns judeus encontraram refúgio em Moabe quando o seu país foi devastado por Nabucodonozor, voltando quando Gedalias foi nomeado governador (Jr 40:11, 12). Os moabitas são mencionados de um modo tão convencional e ambíguo nos livros pós-exílicos do VT, que se torna difícil dizer se eles ainda existiam como nação.

No período imperial assírio, quando praticamente toda a Síria e Palestina se encontravam subjugadas pela Assíria, Moabe também se tornou num vassalo assírio, sendo frequentemente mencionada nos registos assírios como tendo pago tributo. Os reis moabitas que se seguem são mencionados pelo nome em registos assírios: durante o reinado de Tiglath-Pileser III (745-727 AC) - Rei Salamanu de Moabe; no reinado de Senaqueribe (705-681 AC) - Rei Kammusunadbi; sob Esaradom (681-669 AC) e Asurbanipal (669-627? AC) - Musuri e Kamashaltu. Quando Babilónia conquistou o Império Assírio, incorporou Moabe também no seu território. Durante o tempo de domínio persa, deu-se um influxo de árabes para o território de Moabe e os moabitas terão eventualmente perdido a sua identidade ao se unirem aos árabes nabateus, passando a fazer parte do reino nabateu no tempo de Cristo. Depois de 105 DC, o antigo reino moabita tornou-se parte da província romana da Arábia.

A religião moabita era politeísta. O deus principal era Camós (Jr 48:13), cujo nome surge na Pedra Moabita (linhas 3, 5, 9, etc.) e em nomes próprios tais como Kammusunadbi e Kamashaltu, já anteriormente mencionados. Em Nm 25:3 e noutras passagens, Baal de Peor é mencionado provavelmente como uma deidade moabita local. O nome da deusa Ashtar também é mencionado na Pedra Moabita e na coluna de Balu‘a, encontrada em Balu‘a e apresentando um deus semelhante a uma deidade egípcia. 2Rs 3:27 confirma que os moabitas ofereciam, ocasionalmente, aos seus deuses alguns sacrifícios humanos.

A língua moabita era parecida com o hebraico, contendo algumas variantes dialécticas em relação ao hebraico bíblico, tal como se pode ver nas inscrições da Pedra Moabita.



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