Dicionário e Enciclopédia Bíblica
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PEDRO
Rocha da redenção.


Chamava-se, originalmente, Simão (= Simeão, i.e., “ouvido”), um nome judaico muito comum no Novo Testamento. Era filho de Jonas (Mt 16:17). A sua mãe não é mencionada nas Escrituras. Tinha um irmão mais novo chamado André, que foi quem primeiro o levou a Jesus (Jo 1:40-42). Era natural de Betsaida, uma cidade situada na costa ocidental do Mar da Galileia e de onde Filipe também era natural. Foi educado ali junto às margens do Mar da Galileia e foi-lhe ensinado o ofício de pescador. É provável que o seu pai tivesse morrido quando ele era ainda jovem, tendo Zebedeu e a sua mulher Salomé tomado conta dele (Mt 27:56; Mc 15:40; Mc 16:1). Aí passaram Simão, André, Tiago e João a sua meninice e juventude na companhia uns dos outros. Simão e o seu irmão gozaram de todas as vantagens de uma boa educação religiosa, tendo sido precocemente instruídos no conhecimento das Escrituras e das profecias relacionadas com a vinda do Messias. É provável, contudo, que não tivessem tido qualquer instrução especial no que dizia respeito à lei sob a tutela de qualquer um dos rabis. Quando Pedro foi levado perante o Sinédrio, foi visto como um “homem sem letras e indouto” (At 4:13).

“Simão era galileu e era-o de alma e coração… Os galileus tinham um carácter vincado e muito próprio. Tinham a reputação de serem independentes e enérgicos, o que, por vezes, os fazia parecerem turbulentos. Eram muito mais francos e transparentes do que os seus irmãos do sul. Relativamente a todos estes aspectos - franqueza, impetuosidade, arrebatamento e simplicidade - Simão era um galileu genuíno. Os galileus falavam um dialecto muito peculiar. Tinham dificuldade em pronunciar sons guturais e mais alguns outros e a sua pronúncia era considerada desagradável na Judeia. O sotaque galileu perseguiuSimão durante toda a sua vida e denunciou-o como discípulo de Jesus, quando estava no átrio do tribunal (Mt 14:70). Denunciou também a sua nacionalidade e a dos que estavam com ele no dia do Pentecostes (At 2:7). “Já era casado antes de se tornar apóstolo. É-nos mencionada a mãe da sua mulher (Mt 8:14; Mc 1:30; Lc 4:38). É provável que a sua mulher o tivesse acompanhado durante as suas viagens missionárias (1Co 9:5; comparar com 1Pe 5:13).

Estava a viver em Cafarnaum, quando Cristo iniciou o seu ministério público e já passava dos trinta anos. A sua casa era suficientemente grande para albergar o seu irmão André, a sua sogra e também Cristo, que parece ter vivido com ele (Mc 1:29, 36; Mc 2:1), assim como a sua própria família. Era uma casa de dois pisos (Mc 2:4).

Em Betânia, para além do Jordão, João Baptista dava o seu testemunho relativamente a Jesus, apelidando-o de o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29-36). Quando João e André ouviram isto, seguiram Jesus e procuraram saber onde ele morava. Ficaram convencidos de que Ele era o Messias, por causa das graciosas palavras que Cristo pronunciou e da autoridade com que falou (Lc 4:22; Mt 7:29); e André foi procurar Simão, trazendo-o a Jesus (Jo 1:41).

Jesus logo aceitou Simão e declarou que, daí em diante, ele passaria a chamar-se Cefas, o nome aramaico que correspondia ao grego Petrus, que significa “um pedaço de pedra tirado da Rocha Viva”. O nome aramaico não volta a aparecer e o nome Pedro substitui gradualmente o antigo nome Simão, embora o Senhor use o nome Simão quando fala com ele (Mt 17:25; Mc 14:37; Lc 22:31; comparar com Lc 21:15-17). Não nos é dita qual a impressão que a primeira entrevista com Jesus produziu na mente de Pedro. Vamos encontrá-lo depois junto ao Mar da Galileia (Mt 4:18-22). Aí, os quatro (Simão, André, Tiago e João) tinham tido uma fraca noite de pesca. Jesus apareceu de repente e, subindo para o barco de Simão, ordenou-lhe que lançasse as redes. Ele assim o fez, apanhando muitos peixes. Foi um milagre feito perante Simão. O aterrado discípulo lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador” (Lc 5:8). Jesus dirigiu-se-lhe com palavras que transmitiam segurança: “Não temas, de agora em diante serás pescador de homens.” Simão respondeu imediatamente ao chamado, tornando-se discípulo, após o que o vemos a dar uma assistência constante ao Senhor.

É depois chamado para o apostolado e torna-se “pescador de homens” (Mt 4:19) nos tempestuosos mares do mundo da vida humana (Mt 10:2-4; Mc 3:13-19; Lc 6:13-16) e tem, cada vez mais, um papel proeminente em todos os acontecimentos importantes da vida de Cristo. É ele que profere aquela notável profissão de fé em Cafarnaum (Jo 6:66-69) e novamente em Cesareia de Filipo (Mt 16:13-20; Mc 8:27-30; Lc 9:18-20). Esta última foi de grande importância e como resposta, o Senhor usa estas palavras memoráveis: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.

” “Desde então,” Jesus começou a falar dos seus sofrimentos. Pedro repreendeu-o por isso. Mas o Senhor, por sua vez, repreende-o também, usando palavras ásperas e que nunca usara com nenhum dos outros discípulos (Mt 16:21-23; Mc 8:31-33). Perto do fim da sua breve estadia em Cesareia, o Senhor levou Pedro, Tiago e João até uma alta montanha e transfigurou-se perante eles. Pedro, sob o peso da impressão que aquela cena produzira na sua mente, exclamou: “Senhor, bom é estarmos aqui: se queres, façamos três tabernáculos” (Mt 17:1-9).

Ao regressar a Cafarnaum, os colectores das taxas do templo (um didracma, metade de um siclo sagrado) - taxa essa que todos os maiores de 20 anos tinham que pagar - vieram ter com Pedro e lembraram-no de que Jesus ainda não a tinha pago (Mt 17:24-27). O Senhor disse a Pedro que fosse apanhar um peixe no lago e que da sua boca tirasse a quantia exacta para pagar a taxa - um estáter, ou dois meio siclos. “Toma-as,” disse o Senhor, “e paga-lhes por mim e por ti”.

À medida que o fim se aproximava, o Senhor enviou Pedro e João (Lc 22:7-13) à cidade para que preparassem um local onde Ele pudesse celebrar a Páscoa com os seus discípulos. Aí, Pedro foi avisado com antecedência do pecado que mais tarde cometeria (Lc 22:31-34). Acompanhou o Senhor até ao Jardim do Getsemani (Lc 22:39-46), onde ele e os outros dois que tinham também testemunhado a transfiguração puderam entrar com o Senhor. Os outros discípulos permaneceram ao longe. Aí ele passou por uma experiência invulgar. Sob um impulso repentino, cortou a orelha de Malco (Lc 22:47-51), um dos que viera com o grupo que vinha prender Jesus. Seguiu de perto as cenas do julgamento de Cristo (Lc 22:54-61), que culminaram com o seu amargo sofrimento (Lc 22:62).

Vêmo-lo na companhia de João na manhã da ressurreição. Entrou corajosamente no túmulo vazio (Jo 20:1-10) e “viu os lençóis ali postos” (Lc 24:9-12). A ele, o primeiro dos apóstolos, o Senhor ressuscitado se revelou, conferindo-lhe, assim, um sinal da sua honra e mostrando-lhe o quão completamente ele fora reintegrado no Seu favor (Lc 24:34; 1Co 15:5). Lemos depois a singular entrevista que o Senhor manteve com Pedro junto ao Mar da Galileia, onde lhe perguntou três vezes: “Simão, filho de Jonas, amas-me?” (Jo 21:1-19).

Após este incidente, nada mais ouvimos dele, até que aparece com os outros na ascenção (At 1:15-26). Foi ele que propôs que a vaga causada pela apostasia de Judas fosse preenchida. Tem uma acção proeminente no dia do Pentecostes (At 2:14-40). Os eventos desse dia “completaram a mudança que se deu em Pedro e que a dolorosa experiência da sua queda e todo o processo de instrução anterior tinham já iniciado. Ele já não é mais o homem cheio de confiança própria, inconstante e instável, oscilando entre a coragem impetuosa e a timidez vacilante. Era agora um guia em quem se podia confiar, um dirigente da amizade entre os crentes, um pregador intrépido de Cristo em Jerusalém e fora dela. E agora que ele se tornara mesmo Cefas, quase não ouvimos ninguém pronunciar o nome Simão (somente em At 10:5, 32 e At 15:14) e ele passa, finalmente, a ser conhecido como Pedro”.

Após o milagre à porta do templo (At 3), surge a perseguição contra os crentes e Pedro é preso. Defende-se corajosamente a si e aos seus companheiros no Conselho (At 4:19, 20). Uma nova onda de violência contra os cristãos (At 5:17-21) leva todo o corpo de apóstolos para a prisão; mas, durante a noite, são maravilhosamente salvos e são vistos de manhã a pregar no templo. Mais uma vez, Pedro os defendeu perante o Conselho (At 5:29-32) que, “chamando os apóstolos e tendo-os açoitado, os deixou ir”.

Chegara o momento em que Pedro deveria sair de Jerusalém. Após algum tempo em Samaria, ele volta a Jerusalém e relata à igreja que aí está estabelecida os resultados do seu trabalho (At 8:14-25). Aí permanece durante algum tempo e conhece Paulo pela primeira vez após a sua conversão (At 9:26-30; Gl 1:18). Deixa novamente Jerusalém e parte para uma viagem missionária em Lida e Jope (At 9:32-43). É depois chamado a abrir a porta da igreja cristã aos gentios, através da admissão de Cornélio de Cesareia (At 10).

Permaneceu algum tempo em Cesareia, voltando depois a Jerusalém (At 11:1-18), onde defende a sua conduta em relação aos gentios. Voltamos a ouvir falar dele quando Herodes Agripa o coloca na prisão (At 12:1-19); mas, de noite, um anjo do Senhor abre as portas da prisão e ele sai, encontrando refúgio em casa de Maria.

Tomou parte nas deliberações do Conselho em Jerusalém (At 15:1-31; Gl 2:1-10) relativamente às relações dos gentios com a igreja. Este assunto despertara um novo interesse em Antioquia e foi resolvido pelo Conselho dos apóstolos e dos anciãos de Jerusalém. Paulo e Pedro encontram-se novamente aqui.

Não mais se menciona Pedro nos Actos dos Apóstolos. Parece ter ido até Antioquia após o Conselho de Jerusalém, tendo sido acusado de hipocrisia, pelo que foi severamente repreendido por Paulo (Gl 2:11-16), que “lhe resisti na cara”.

Depois vemo-lo a levar o Evangelho até ao leste, tendo trabalhado durante algum tempo em Babilónia, no Eufrates (1Pe 5:13). Não existem provas claras de que alguma vez tivesse estado em Roma. Não se sabe ao certo quando ou onde morreu. Terá morrido entre 64 e 67 DC.



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