21 de janeiro Quinta

Coração dividido

Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. Mateus 23:3

Após analisar um grande número de problemas conjugais, em que um dos cônjuges declarava amar seu companheiro, mas negava isto na prática, a Dra. Susan Forward concluiu que “o que estabelece a realidade é a conduta, e não as palavras”. Quando as palavras vão em uma direção e o comportamento vai em outra, deve-se acreditar no que revela o comportamento. Porque as ações falam mais alto do que as palavras.

É muito fácil aparentar uma coisa por fora e ser outra bem diferente por dentro. Um exemplo dessa duplicidade foi a vida de Robert Tisland. Dez meses após seu casamento com Lucille, ele começou a bater nela. E durante os 14 anos seguintes ele intensificou esse abuso sobre a esposa e os cinco filhos. Finalmente, Lucille não pôde mais aguentar. Uma tarde, ela entrou, na ponta dos pés, no quarto onde o marido tirava uma sesta. Aproximou-se da cama e tirou cuidadosamente, de sob o travesseiro, o revólver que o marido sempre escondia ali. Com mãos trementes ela fez pontaria e puxou o gatilho, matando o marido.

A pacífica comunidade onde os Tislands viviam, no interior do Estado de Minnesota, EUA, ficou chocada. Os muitos amigos de Lucille sempre a haviam respeitado como uma cristã devota. E seu marido, a quem ela havia assassinado, era o pastor local.

Domingo após domingo, o Pastor Robert Tisland falava do púlpito e empolgava a congregação com os seus eloquentes sermões. Mas, durante a semana, ele ameaçava a família como um cruel tirano. E, à medida que os anos passavam, as agressões foram se tornando cada vez mais brutais.

Nesse dia fatídico, Robert chegou em casa de muito mau humor. Disse que ia tirar uma sesta. “E quando eu acordar”, ele advertiu Lucille, “vou te matar!” Lucille percebeu no olhar decidido do marido, que ele ia mesmo cumprir sua ameaça. E resolveu salvar a própria vida, matando-o primeiro. As autoridades a acusaram de homicídio. Mas, em março de 1984, o júri a absolveu, após ouvir sua comovente história.

Talvez você também tenha o coração dividido e aparente o que não é. O tratamento para essa doença espiritual foi indicado por Cristo: “Limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!” (Mt 23:26). Aqui está o grande princípio da salvação pela fé. Se você cuidar do seu íntimo, permitindo que Cristo seja o dono exclusivo do seu coração, tanto suas palavras quanto seus atos falarão a mesma linguagem.


22 de janeiro Sexta

Sepulcros caiados

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Mateus 23:27

Ao comparar os escribas e fariseus a ”sepulcros caiados”, Jesus usou uma figura de linguagem que todo judeu compreendia muito bem. Por ocasião da Páscoa as estradas da Palestina ficavam repletas de peregrinos. Seria um verdadeiro desastre se um peregrino, em sua viagem para participar da Páscoa, em Jerusalém, esbarrasse acidentalmente num túmulo à beira da estrada, pois isso o tornaria imundo e o impediria de participar da festividade.

Segundo a Lei de Moisés, “todo aquele que, no campo aberto, tocar em alguém que for morto pela espada, ou em outro morto, ou nos ossos de algum homem, ou numa sepultura será imundo sete dias” (Nm 19:16). Para evitar isso, os judeus costumavam caiar esses sepulcros antes da Páscoa. Assim, o viajor, ao caminhar pelas estradas ensolaradas, via de longe esses sepulcros, brilhando ao sol e parecendo belos e atraentes.

Mas, dentro deles havia ossos e cadáveres, que contaminariam quem os tocasse. Este, segundo Cristo, era o retrato dos fariseus, pois exteriormente procuravam demonstrar religiosidade, enquanto o íntimo estava contaminado pelo pecado.

O profeta Oseias já havia se pronunciado sobre essa mesma incoerência espiritual entre o povo de Israel, ao dizer: “Efraim se mistura com os povos e é um pão que não foi virado” (Os 7:8). Nos fornos antigos, os pães precisavam ser continuamente virados, para que não ficassem queimados de um lado e crus do outro. Como os israelitas professavam adorar a Deus, mas se envolviam com a adoração de ídolos, foram comparados a “um pão que não foi virado”. Eles tinham dois lados: um cozido e outro cru.

Caso você também tenha dois lados e esteja se debatendo com a incoerência espiritual, não desanime! Grandes homens de Deus, como o apóstolo Paulo, também passaram por essa experiência. Veja a sua confissão: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Rm 7:18).

Mas Paulo se deixou crucificar com Cristo e, por isso, pôde dizer, no fim de sua vida: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada” (2Tm 4:7, 8).

Em Cristo, a vitória não só é possível, mas certa.


23 de janeiro Sábado

Propaganda falsa

Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus 7:19, 20

Em um ano eleitoral, o governo de um estado brasileiro mostrou, na televisão, vários trechos de rodovias, como tendo sido realizados durante aquela gestão. A imprensa, entretanto, revelou que aqueles trechos haviam sido asfaltados pelo governo anterior.

Em 1999, indústrias de laticínios tiveram seus anúncios retirados do ar e o material de divulgação recolhido, porque sua propaganda era falsa, do ponto de vista científico. E quem navega pela Internet certamente já se deparou com anúncios milagrosos, prometendo cura para enfermidades, como aids, câncer, diabetes, esclerose múltipla e muitas outras. É bom ter cuidado, pois algumas terapias, além de não curar, podem colocar em perigo a saúde.

A propaganda é enganosa quando induz o consumidor ao erro, ao anunciar produto ou serviço com qualidades que ele não tem. E isto é crime previsto na lei.

Jesus não tolerava a falsidade em nenhuma de suas formas. Aquele que é “a Verdade, e a Vida” (Jo 14:6), não podia defrontar-Se com a mentira sem denunciá-la. Por isso, repetidamente condenou a hipocrisia humana, especialmente a dos fariseus, chamando-os de “raça de víboras”. E houve uma ocasião em que Ele repreendeu até mesmo uma árvore, por fazer propaganda enganosa: “Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-Se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente” (Mt 21:18, 19).

Teria Jesus proferido essa maldição num gesto impulsivo, por estar com fome e não ter encontrado o que esperava? Não teria Ele sido injusto com a figueira?

Ora, é preciso ter em mente que nesse tipo de árvore a presença de folhas era um anúncio de que havia frutos. Mas essa figueira era um engano, porque embora tivesse mais folhas do que o normal, não produzira nenhum fruto. Prometia muito, mas não dera nada.

Daí a reação de Jesus. Ele ordenou que a figueira se secasse porque ela aparentava estar viva, mas na realidade estava morta. E, ao secar-se, passou a cumprir uma função de advertência. É como se Jesus tivesse dito: “Já que você está morta, deixe de aparentar que está viva. Mostre a todos sua verdadeira condição!”

Essa figueira era um símbolo da nação judaica, que estava coberta de folhas, mas não produzia frutos. Um dia, Jesus vai voltar e também procurará frutos naqueles que professam o Seu nome. O que Ele encontrará?


24 de janeiro Domingo

Como lidar com a ira

O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime. Provérbios 29:11

William Falkaber, dono de um restaurante em Spokane, Washington, ficava irritado toda vez que o cozinheiro derramava café em seu pires, quando o servia. Um dia ele explodiu, após um incidente desses. Sacou o revólver e correu atrás do cozinheiro. Mas não chegou a puxar o gatilho, pois sofreu um colapso cardíaco e caiu morto. A raiva o matou.

Explodir de ira pode causar um infarto e ser fatal. Por outro lado, engolir a raiva também não é saudável, pois a raiva reprimida pode causar uma série de doenças como alergias, dor de cabeça, úlceras, doenças de pele e câncer. Será que temos de escolher entre o infarto e o câncer? Não haveria alternativas melhores? Felizmente, sim.

Adolfo, às vezes, chegava em casa, à tardinha, extremamente irritado, após um extenuante dia de trabalho. Encerrava-se em seu quarto e liberava sua ira, não só xingando os móveis, mas também esmurrando-os e dando-lhes pontapés. Depois de uma sessão de desabafos desse tipo, em que atingia apenas a mobília, saía do quarto recuperado e manso como um cordeiro. Aí está uma maneira de expandir a ira em que nenhuma pessoa sai ferida. Nem você nem os outros. O único inconveniente é ter de trocar os móveis com mais frequência.

Os psicólogos recomendam também o diálogo franco com a pessoa que o irritou. Se isto não for possível, sua ira pode ser liberada através de exercício físico, que traz grande alívio, ou mesmo pintando quadros, esculpindo, fazendo trabalhos manuais ou escrevendo, mesmo que depois você rasgue tudo e jogue fora.

A Bíblia também oferece uma alternativa para liberar a ira de modo saudável. Se você ler os versos 1-13, do Salmo 109, verá que Davi expressou, em oração, todo o seu ódio contra os inimigos. Suas palavras não deixam dúvida quanto aos seus sentimentos: “Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva, a sua esposa. Andem errantes os seus filhos e mendiguem; e sejam expulsos das ruínas de suas casas” (v. 9, 10). No Salmo 58:6 ele pede: “Ó Deus, quebra-lhes os dentes na boca.” E no Salmo 140:10: “Caiam sobre eles brasas vivas, sejam atirados ao fogo, lançados em abismos para que não mais se levantem.”

Estas são palavras cheias de ira e de sentimentos de vingança. Davi não está pensando em converter ou salvar os ímpios. Está pedindo um severo castigo para eles. Embora esta não seja a atitude ideal – a de pedirmos que Deus castigue essa ou aquela pessoa – Deus deseja que confessemos a Ele nossa raiva, aquilo que nos irrita. E nesse desabafo encontramos alívio.


25 de janeiro Segunda

Milagre em dois atos

Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito. Marcos 8:25

A cegueira era um verdadeiro flagelo na Palestina e nos demais países do Oriente Médio. Era causada pelo resplendor do Sol, pela poeira e por diversas enfermidades dos olhos, especialmente as conjuntivites graves, as quais eram agravadas pela falta de higiene. Era comum ver pessoas com verdadeiras crostas nos olhos, nas quais pousavam moscas, o que contribuía para disseminar as infecções.

Jesus curou muitos cegos, bem como doentes de todos os tipos, mas a cura do cego de Betsaida é o único caso em que Jesus operou uma cura em duas etapas. Quando Jesus aplicou saliva nos olhos daquele cego, pela primeira vez, ele recobrou a visão parcialmente, passando a ver os homens “como árvores [...] andando” (v. 24). Ao segundo toque, porém, ele passou a ver tudo com perfeita clareza.

Outros cegos, bem como leprosos, paralíticos, e até mesmo mortos, foram restaurados instantaneamente. Por que este enfermo precisou de dois toques em vez de um? Alguns acham que foi para fortalecer-lhe a fé gradualmente. Sejam quais forem os motivos, podemos ver nesses dois atos uma importante lição espiritual: a luz da verdade é uma revelação progressiva, semelhante à “luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18).

Embora a conversão possa ocorrer instantaneamente, como no caso de Zaqueu, também é verdade que devemos reconverter-nos a Deus diariamente, sempre crescendo na graça e no conhecimento. Mesmo na eternidade cresceremos constantemente, pois surgirão sempre “novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo” (O Grande Conflito, p. 677).

As pessoas que aceitam a salvação em Cristo, começam sua carreira cristã vendo os homens “como árvores [...] andando”. Mas, à medida que vão crescendo espiritualmente, sua visão vai, aos poucos, se expandindo e enxergando os homens, as doutrinas, o plano da salvação, mais claramente.

Olhemos confiantes para o futuro, para aquele glorioso dia em que veremos nosso Salvador face a face. Então, nossa visão espiritual será perfeita e conheceremos como também somos conhecidos.


26 de janeiro Terça

O peso da consciência

Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens. Atos 24:16

Um operário ganhava muito pouco para sustentar a família. Um dia, não resistindo às dificuldades financeiras, furtou algumas joias da loja onde trabalhava como faxineiro, escondendo-as dentro de sua marmita. Ao passar pela portaria, o porteiro lhe disse: “Pode passar. Você é crente, e eu sei que os crentes são honestos.”

À noite, porém, o homem não conseguiu conciliar o sono. Sua consciência acusava-o, repetindo-lhe incessantemente a voz do porteiro: “Você é crente, e eu sei que os crentes são honestos.” No dia seguinte, não suportando mais o sentimento de culpa, o faxineiro resolveu confessar o seu erro e devolver as joias.

Esta é a coisa certa a fazer: reparar o erro e pedir perdão às pessoas ofendidas e a Deus. Daí, perdoar-se a si mesmo e dormir tranquilo. Tomar tranquilizantes, sedativos ou antidepressivos não é o remédio para uma consciência culpada.

O escritor Chuck Colson narra, em um de seus livros, o caso de um homem que não se perdoou pelo que fez durante a Segunda Guerra Mundial. Dos 24 criminosos de guerra julgados em Nuremberg, Albert Speer foi o único que admitiu sua culpa por ter sido colaborador de Hitler. Como consequência, passou 20 anos na prisão de Spandau.

Ao ser libertado, foi entrevistado pelo jornalista David Hartman, que lhe perguntou: “O senhor disse que a culpa jamais pode ser perdoada, ou pelo menos não deveria. O senhor ainda pensa assim?”

Speer assumiu uma atitude patética ao responder: “Cumpri uma sentença de 20 anos, e agora deveria dizer que sou um homem livre, que minha consciência está limpa por eu ter passado todo este tempo na prisão, como castigo. Mas não posso fazer isso. Eu ainda carrego o peso do que aconteceu com milhões de pessoas durante a época de Hitler, e não consigo me livrar dessa culpa. Não creio que seja possível.”

Colson afirma que desejou escrever a Speer e falar-lhe a respeito de Jesus e de Sua morte na cruz. Quis lhe falar a respeito do perdão de Deus. Mas não houve tempo, pois Speer morreu logo depois dessa entrevista. Ele morreu sem saber que Deus “é quem perdoa todas as [...] iniquidades; quem sara todas as [...] enfermidades” (Sl 103:3).

Se você se sente culpado por algum pecado, peça perdão à pessoa ofendida (se for possível), peça perdão a Deus, e daí PERDOE-SE, porque Deus já o perdoou. Então, você voltará a dormir. E a viver.


27 de janeiro Quarta

Amor gravado nas mãos

Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-Me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. Lucas 24:39, 40

Tolstoi, o grande escritor russo, contou, certa vez, a história do Czar e da Czarina que desejaram honrar os membros de sua corte com um banquete. Eles enviaram os convites e avisaram que os hóspedes deveriam vir com eles na mão. Quando chegaram ao banquete, os hóspedes ficaram surpresos ao ver que os guardas não examinaram os convites, e sim, suas mãos. Os convidados tentaram imaginar o que significaria isto, mas também estavam curiosos para ver quem o Czar e a Czarina escolheriam como hóspede de honra, para sentar-se entre eles no banquete.

Todos ficaram espantados quando viram que a pessoa escolhida foi uma idosa faxineira, que durante muitos anos trabalhou arduamente para manter limpo o palácio. Os guardas, ao examinar-lhe as mãos, declararam: “A senhora tem as credenciais adequadas para ser a hóspede de honra. Podemos ver seu amor e lealdade em suas mãos.”

Conta-se uma história semelhante do grande missionário Adoniram Judson, na antiga Birmânia. Judson dirigiu-se ao rei da Birmânia a fim de pedir-lhe permissão para ir a determinada cidade e pregar. O rei, pagão, mas muito inteligente, respondeu: “Eu estaria disposto a deixar uma dúzia de pregadores ir lá, mas não o senhor, com essas mãos. O meu povo não é tolo para se importar com a sua pregação, mas eles notariam as suas mãos, calejadas pelo trabalho.”

A crucifixão de Cristo deixou os discípulos desorientados. Suas esperanças de “que fosse Ele quem havia de redimir a Israel” (v. 21), haviam desabado. Com medo dos judeus, reuniram-se no cenáculo. Chegara-lhes a informação de que Jesus havia ressuscitado, mas hesitavam em crer e não se achavam psicologicamente preparados para encontrá-Lo. Nesse estado de tensão emocional, ficaram apavorados quando Jesus apareceu entre eles. Pensaram que fosse um fantasma.

Foi preciso que Jesus os acalmasse, mostrando-lhes as mãos e os pés, e pedindo-lhes que O apalpassem, dando-lhes assim uma prova visual, auditiva e tácita de que Ele realmente havia ressuscitado. Possuídos dessa certeza, os discípulos, antes temerosos e cheios de dúvidas, se tornaram apóstolos de grande coragem e abnegação.

Jesus conservará as marcas dos cravos em Suas mãos e pés por toda a eternidade, como testemunho do preço pago por nossa redenção, e como prova de Seu amor por nós.


28 de janeiro Quinta

Tocando os intocáveis

Aproximou-se dEle um leproso rogando-Lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! Marcos 1:40, 41

A sociedade hinduísta é constituída por várias castas, sendo que os membros das castas inferiores, denominados “intocáveis”, são excluídos das práticas religiosas, e o seu contato, assim como a sua proximidade, são considerados contaminadores.

Embora a “intocabilidade” tenha sido oficialmente abolida pelo governo da Índia, em 1950, na prática ela continua existindo. Os intocáveis, também chamados de Dalits, não podem cruzar a linha divisória que separa o seu setor da aldeia em que moram, do das castas mais elevadas. Eles não podem usar o mesmo poço, visitar os mesmos templos, ou beber nas mesmas xícaras que os outros. No trabalho, não podem aproximar-se do membro de outra casta e nem usar as mesmas torneiras.

Entretanto, membros das castas superiores têm estuprado moças intocáveis, o que demonstra a hipocrisia do sistema, pois ninguém respeita a intocabilidade quando se trata de sexo.

Alguns anos atrás os jornais noticiaram a morte de 78 pessoas em Nova Delhi. Um ônibus caíra de um barranco, e entre os passageiros havia onze “intocáveis”. Do lado de fora, um homem amarrou uma corda numa árvore, pela qual subiram os onze “intocáveis”. Mas 78 hindus de outra casta morreram porque se recusaram a utilizar a mesma corda que havia sido usada pelos “intocáveis”.

Nos tempos bíblicos também havia uma classe de intocáveis: os leprosos. Segundo a legislação levítica, eles deviam ser segregados, para evitar a disseminação da doença. A vítima era expulsa de casa (2Cr 26:21) e da sociedade (Nm 5:1-4; 12:9-15), e não podia entrar em uma cidade murada (2Rs 7:3, 4) nem no santuário (2Cr 26:19, 20). Devia usar vestes rasgadas, cabelos desgrenhados e quando alguém se aproximasse devia cobrir os lábios e clamar: “Imundo! Imundo!” (Lv 13:45, 46).

No episódio relatado por Marcos vemos, mais uma vez, a bondade de Jesus. Ao tocar o leproso, Ele mostrou que ninguém neste mundo é intocável. Nem aidéticos, nem leprosos, nem portadores de qualquer outra doença contagiosa se acham excluídos de Seu amoroso toque, que sempre traz cura física e restauração social e espiritual.

Você já foi tocado pelo Mestre?


29 de janeiro Sexta

Vaso de bênção

Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Jeremias 18:3, 4

O profeta Jeremias, em obediência à instrução de Deus, foi à casa do oleiro e o encontrou trabalhando com as rodas de modelar barro – duas rodas ligadas por um eixo, uma embaixo, acionada pelos pés, e outra em cima, sobre a qual é colocado o barro a ser trabalhado.

O oleiro estava modelando um vaso. Em suas mãos, o vaso ainda não estava pronto. Mas em sua mente, o oleiro podia ver o vaso pronto para ser usado. Então houve um problema: o barro resistiu à modelagem, apresentou rachaduras, e se quebrou.

O que fez o oleiro, então? Jogou fora o vaso quebrado? Não. Aproveitou aquele mesmo material, fez dele uma massa informe e recomeçou sua tarefa, fazendo um novo vaso.

Essa experiência contém uma grande lição espiritual: Quando resistimos ao propósito original que Deus tem para nós, e nos rebentamos, Ele pode nos recriar, nos fazer de novo. Mas é importante observar que Ele faz de nós um “outro vaso”, não o mesmo.

Deus percebe que, em virtude de nossa resistência, Ele não poderá fazer de nós o vaso que tinha em mente. Então muda Seu plano e parte para a segunda alternativa: fazer de nós outro vaso.

Mas, vamos supor que o segundo vaso também se quebre. O oleiro desmancha tudo outra vez e começa de novo. E assim sucessivamente. Enquanto isso, o barro vai ficando cada vez menos moldável, até que não possa mais ser aproveitado. E daí, o que acontece? É só olhar para o quintal da casa do oleiro. Ali está um montão de vasos quebrados, cujo barro resistiu a todas as tentativas de moldagem.

Esta é a história de muitas pessoas. Resistem, resistem, até que o divino Oleiro nada mais pode fazer com elas. Se rejeitarmos a prioridade divina para nossa vida, Deus não nos abandona. Ele nos apresenta Seu segundo plano. Se também não aceitarmos este, Ele apresenta o terceiro, o quarto, até esgotarmos as alternativas divinas.

Deus procura a cada dia, a cada momento, através do Seu Santo Espírito, quebrar a nossa resistência ao Seu melhor plano para a nossa vida. E esse plano é o de nos preparar “para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro” (Educação, p. 13).

Se aceitarmos o plano nº 1 de Deus, colheremos também o melhor das Suas bênçãos.


30 de janeiro Sábado

Nunca desistir

Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. Mateus 24:13

Lee Dunstan conta que em uma das ilhas de Kiribati, no Pacífico, um homem comprou um barco e decidiu testá-lo em mar aberto, com o filho e mais um ilhéu. “Eles estavam pescando quando uma chuva muito forte começou e escondeu a terra. As ilhas de Kiribati são planas e virtualmente invisíveis até mesmo a uma curta distância. Eles ligaram o motor e começaram a procurar a ilha de onde haviam saído, até que o combustível acabou. Então, ficaram à mercê da corrente que vem do oeste, quase sem comida e sem água, indo na direção de Papua-Nova Guiné. Ficaram no mar quase três meses.

“Enfraquecidos mental e fisicamente, caíram na tentação de beber água do mar. O filho ficou doente e morreu, e o pai enlutado começou a perder as esperanças. Ele ficou enlouquecido. Estavam tão fracos que, mesmo juntos, não conseguiam levantar o corpo em decomposição sobre a borda para jogá-lo no mar. O desespero então venceu o pai, que decidiu dar um fim a tudo. Com dificuldade, ele subiu na borda e, apesar dos pedidos do outro sobrevivente, pulou na água, tentando afogar-se.”

Logo, porém, ele se arrependeu do que havia feito e, agarrando-se à borda, pediu ajuda para subir novamente no barco. Mas os dois estavam muito fracos e não conseguiram. Então ele se soltou e poucos momentos depois desapareceu sob uma onda. E o escritor salienta que “o que tornou a tragédia mais pesarosa foi que isso ocorreu exatamente um dia antes do bote ser levado pelas ondas para a Ilha Mansava. O homem poderia ter sobrevivido se não tivesse desistido” (Perdidos no Mar, p. 116, 117).

Na vida cristã ocorre o mesmo. O apóstolo Paulo, apesar de ter sofrido naufrágios, açoites, prisão, apedrejamento, perseguição, jamais desistiu do seu chamado para ser evangelista, missionário e pregador das boas novas de salvação em Jesus. No fim de sua vida, ele pôde olhar para trás e dizer com satisfação: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” E olhou com confiança para o futuro, dizendo: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia” (2Tm 4:7, 8).

Se você está pensando em largar tudo e desistir, desista, isto sim, dessa ideia, pois você pode estar no limiar da eternidade. A vitória é prometida aos que perseverarem até o fim.


31 de janeiro Domingo

Tesouro escondido

O reino dos Céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. Mateus 13:44

Nos tempos antigos havia estabelecimentos bancários, como a parábola dos talentos deixa claro, mas ao que tudo indica este não era um lugar seguro. Os próprios rabinos da época diziam que o lugar mais seguro para guardar o dinheiro era a terra. A maioria das moedas antigas, que atualmente podem ser vistas nos museus, foram preservadas desta maneira.

Isto é compreensível, especialmente se considerarmos que o palco desta parábola de Jesus era a Palestina, o lugar mais disputado por guerras e conflitos que qualquer outro no mundo, mesmo hoje. E quando a guerra ameaçava engolfar a população, era comum que eles escondessem seus valores na terra, antes de fugir, na esperança de que um dia pudessem voltar e recuperá-los.

O historiador Thomson conta o caso de um tesouro descoberto na cidade de Sidom. Há naquela cidade uma famosa avenida de acácias. Um dia, alguns operários estavam cavando um jardim, naquela avenida, quando acharam vários potes de cobre cheios de moedas de ouro, de Alexandre o Grande e de seu pai Felipe. Esses operários pretendiam guardar esse tesouro para eles. Mas havia tantas moedas, e eles ficaram tão eufóricos, que o governo local ficou sabendo da descoberta e exigiu a entrega do tesouro.

Tanto a parábola do tesouro escondido como a da pérola de grande valor apresentam um quadro interessante e diferente do reino de Deus. Depois de ensinar, repetidas vezes, que a salvação é gratuita, Jesus, de repente, nos diz que o reino dos céus precisa ser comprado. Como se explica isto?

Se você tentar dar alguma coisa a uma criança que está com as duas mãos cheias, ela ficará sem saber o que fazer, mas finalmente perceberá que não poderá receber o presente se não largar alguma coisa. Assim é com o reino de Deus. Não importa o que você tem ou no que deposita sua confiança, precisa deixar isso em segundo plano para receber o tesouro do reino dos céus.

A parábola, portanto, apresenta uma aparente contradição: o reino dos céus é gratuito, mas custa tudo o que temos. O Céu é de graça, mas custa todo o nosso amor. Se não abrirmos mão dos nossos mais acariciados tesouros, que não são mais do que bagatelas em comparação com o que Deus tem a nos oferecer, não poderemos receber Seu presente.