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1. O livro de Hebreus revela a existência de um santuário real no Céu. Em Hebreus 8:2 a palavra "santuário" é tradução do grego ta hagia, forma plural de lugar santo (coisa). Usos adicionais deste termo no plural podem ser encontrados, por exemplo, Hebreus 9:8, 12, 24, 25, 10:19; 13:11. As várias traduções deixam a impressão de que Cristo ministra apenas no lugar santíssimo ou no lugar santo, não no santuário. Isto ocorre porque os tradutores consideram ta hagia como plural intensivo, traduzível como singular. Mas o estudo da Septuaginta e de Josefo mostra que o termo ta hagia se refere invariavelmente a "coisas sagradas" ou aos "lugares santos" - isto é, ao próprio santuário. E o termo geral utilizado em referência ao santuário inteiro, com seus lugares santo e santíssimo. Que o livro de Hebreus utiliza ta hagia para se referir ao santuário inteiro, é algo que possui forte apoio exegético na própria epístola. O primeiro uso de ta hagia em Hebreus, ocorre em 8:2, em aposição a "verdadeiro tabernáculo". Uma vez que é claro a partir do verso 5 do mesmo capítulo, que "tabernáculo" (skene) indica o santuário interiro, em Hebreus 8:2 ta hagia do mesmo modo deve designar todo o santuário celestial. Não existe razão para se traduzir o plural ta hagia como lugar santíssimo em Hebreus. Na maioria dos casos, o contexto favorece a tradução de ta hagia como "o santuário" ("Christi and His High Priestly Ministry", Ministry, outubro de 1980, pág. 49). De seu estudo do santuário terrestre e de ta hagia, os pioneiros adventistas concluíram que o santuário celestial também possui dois compartimentos. Essa compreensão tornou-se básica para o desenvolvimento de seu ensinamento quanto ao santuário (Damsteegt, "The Historical Development of the Sanctuary Doctrine in Early Adventist Thougt" [manuscrito não publicado, Biblical Research Institute of the General Conference of Seventh-Day Adventist, 1983]; cf. E. G. White, O Grande Conflito, págs. 413-415, 423-432. 2. Veja The SDA Bible Commentary, edição revista, comentários de Ellen G. White, vol. 6, pág. 1082. 3. Antigos escritos judaicos revelam que alguns rabinos também criam na existência de um santuário celestial real. Comentando Êxodo 15:17, um rabino disse: "A [posição do] santuário [terrestre] corresponde à do santuário celestial a a [posição da] arca corresponde à do trono celestial" (Midrash Rabbah, Numbers, reimpressão [Londres: Soncino Press, 1961], vol. 1, capítulo 4, seção 13, pág. 110). Outro rabino citado no Talmude Babilônico falou a respeito do "templo celestial e terrestre" (Sanhedrin, 99b, I. Epstein, editor [Londres: Soncino Press, 1969]). Um terceiro comentou: "Não existe diferença de opinião quanto a ser o santuário aqui de baixo uma contrapartida do santuário lá de cima" (Leon Nemoy, editor, The Midrash on Psalms, tradução de Willian G. Braude [New Haven, Conn: Yale University Press, 1959], Salmo 30, seção 1, pág. 386. 4. O livro de Hebreus retrata um santuário real no Céu: "A realidade do santuário celestial é sublinhada adicionalmente pelo adjetivo verdadeiro em Hebreus 8:2. O santuário celestial é 'verdadeiro', ou melhor, 'real'. O termo grego utilizado aqui e em 9:24, onde também se aplica à esfera celestial, é alethinos. Esse adjetivo grego significa 'real', em oposição a meramente 'aparente'. Por conta de sua clássica distinção do adjetivo grego alethes - cujo significado é 'verdadeiro' em oposição a 'falso' - o adjetivo alethinos, que é utilizado duas vezes em relação ao santuário celestial, aponta de modo aparentemente inequívoco ao fato da realidade do santuário celestial. Assim como Deus é descrito como 'real' em João 17:3 e da mesma maneira por Paulo - por exemplo, em I Tessalonicenses 1:9 - mediante o uso de alethinos, assim outras entidades possuem realidade pelo fato de se acharem associadas com a Sua realidade. Do mesmo modo como o santuário celestial se encontra associado com a realidade de Deus, assim é ele tão real quanto real é Deus" (Hasel, "Christ's Atoning Ministry in Haven", Ministry, janeiro de 1976, encarte, pág. 21c.). 5. Holbrook, "Sanctuary of Salvation", Ministry, janeiro de 1983, pág. 14. 6. E. G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 25. 7. Holbrook, "Light in the Shadows", Journal of Adventist Education, outubro/novembro de 1983, pág. 27. 8. Holbrook, "Light in the Shadows", Journal od Adventist Education, outubro/novembro de 1983, pág. 28. 9. "Assim como o ministério de Cristo devia consistir de duas grandes divisões, ocupando cada uma delas um período de tempo e tendo um lugar distinto no santuário celeste, semelhantemente o ministério típico consistia de duas divisões - o serviço diário e o anual - e a cada um deles era dedicado um compartimento do tabernáculo" (E. G. White, Patriarcas e Profetas, pág. 357 [pág. 370 na 3.ª edição]). 10. Veja, por exemplo, Angel M. Rodriguez, "Sacrificial Substitution and Old Testament Sacrifices", in Sanctuary and the Atonement, págs. 134-156; A. M. Rodriguez, "Transfer of Sin in Leviticus" in 70 Weeks, Leviticus, and the Nature of Prophecy, edição de F. B. Holbrook (Washington, DC: Biblical Research Institute of the General Conference of Seventh-Day Adventist, 1986), pág. 169-197. 11. "Atonement, Day of", in The Jewish Encyclopedia, edição de Isidore Singer (New York: Funk and Wagnalls Co., 1903), pág. 286. Veja também Hasel, "Studies in Biblical Atonement I: Continual Sacrifice, Defilement/Cleansing and Sanctuary", in Sanctuary and Atonement, págs. 97-99. 12. Hasel, "Studies in Biblical Atonement I", págs. 99-107; Alberto R. Treiyer, "The Day of Atonement as Related to the Contamination and Purification of the Sanctuary", 70 Weeks, Leviticus, Nature of Prophecy, pág. 253. 13. Holbrook, "Light in the Shadows", pág. 27. 14. Holbrook, "Light in the Shadows", pág. 29. 15. Veja, por exemplo, "Studies in Biblical Atonement II: "The Day of Atonement", in Sanctuary and Atonement, pág. 115 e 125. 16. Cf. Hasel, "The 'Little Horn', the Saints, and the Sanctuary in Daniel 8", in Sanctuary and Atonement, págs. 206 e 207; Treiyer, "Day of Atonement", págs. 252 e 253. 17. Holbrook, "Light in the Shadows", pág. 29. 18. Cf. "Azazel", SDA Bible Dictionary, edição revista, pág. 102. 19. Holbrook, "Sanctuary of Salvation", pág. 16. Ao longo dos séculos os expositores bíblicos têm chegado a conclusões similares. Na Septuaginta, azazel aparece como apopompaios, termo grego para uma divindade maligna. Autores judeus antigos e os primeiros Pais da Igreja referiam-se a ele como demônio (SDA Encyclopedia, edição revista, págs. 1291 e 1292). Expositores do décimo nono e vigésimo século, possuindo visão semelhante, incluem Samuel M. Zwemer, William Milligan, James Hastings e Willian Smith, da Igreja Presbiteriana; E. W. Hengstenberg, Elmer Flack e H. C. Alleman, da Igreja Luterana; Willian Jenks, Charles Beecher e F. N. PeLoubet, da Igreja Congregacional; John M'Clintock e James Strong, da Igreja Metodista; James M. Gray, da Igreja Reformada Episcopal; J. B. Rotherhorn, dos discípulos de Cristo; e George A. Barton, da Sociedade de Amigos. Muitos outros têm expressado pontos de vista semelhantes (Questions on Doctrine, págs. 394 e 395).
Assim como o sumo sacerdote, depois de haver purificado o santuário, colocava os pecados sobre Azazel - o qual era para sempre removido dentre o povo de Deus - assim Cristo, depois de haver purificado o santuário celestial, colocará os pecados confessados e perdoados de Seu povo sobre Satanás, que será então removido para sempre dos santos. "Quão apropriado é o último ato de Deus no trato com o pecado, seja fazer retornar sobre a cabeça de Satanás todos os pecados e culpas que, partindo originalmente dele, causaram um vez tal tragédia na vida daqueles que agora foram libertados pelo sangue expiatório de Cristo. Completa-se desta forma o ciclo, encerra-se o drama. Somente quando Satanás, o instigador do pecado, for finalmente removido, poder-se-á afirmar apropriadamente que o pecado foi erradicado do Universo de Deus. Neste sentido harmonizado podemos entender de que modo o bode emissário tomava parte na 'expiação' (Levítico 16:10). Com os justos estando salvos, os pecados 'desarraigados' e Satanás não mais existindo, então - e somente então - estará o Universo no mesmo estado de harmonia em que se encontrava antes do surgimento do pecado" (The SDA Bible Commentary, edição revista, vol. 1, pág. 778).
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