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DA
CULPA AO PERDÃO
Pr. Alejandro Bullón
"Alguma vez você já se sentiu rejeitado, condenado
e sem direito a se aproximar de Jesus? Alguma vez você
já sentiu que apesar de todos os bens materiais que conseguiu
na vida, continua havendo uma sensação de vazio
lá dentro do seu coração que não
o deixa ser feliz? Então sua vida tem muito a ver com
a história de Zaqueu.
Vamos ver
o que podemos aprender com a história de Zaqueu: "E,
tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que
havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este um chefe
dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus,
e não podia, por causa da multidão, pois era de
pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira
brava para o ver; porque havia de passar por ali. E, quando
Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e
disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convêm
pousar em tua casa" (Lucas 19:1-5).
Zaqueu é
apresentado na Bíblia como o símbolo do homem
pecador. A história diz que Zaqueu era rico. Homens ricos
geralmente usam roupas finas e caras. É interessante
notar que às vezes, o pecador é simbolizado na
Bíblia por um homem pobre, mal vestido ou quase nu, como
no caso do filho pródigo, que voltou para casa vestindo
trapos de imundícia e cheirando a porcos. Como na história
de Maria Madalena, que foi arrastada pelos cabelos, seminua;
ou como no caso do cego de nascença que ficava na porta
do templo pedindo esmolas.
Já
outras vezes, o pecador é simbolizado por um homem rico
e bem vestido, como no caso de Naamã, o capitão
do exército sírio, que por trás das suas
vestes finas e condecorações gloriosas, escondia
a miséria de uma lepra consumindo sua vida.
Este também
era o caso de Zaqueu, que aparentemente tinha tudo para ser
feliz: usava roupas finas, seus filhos talvez estudassem em
escolas particulares de primeira classe, morava numa das mansões
da cidade de Jericó, mas não era feliz. Sentia-se
rejeitado pela sociedade e atormentado pela própria consciência.
Por que
o pecador às vezes é simbolizado por um homem
pobre e quase nu, e outras por alguém rico e bem vestido?
O que Deus está querendo nos dizer?
Sabe, o
que Ele está dizendo é que perante Seus olhos,
todos os seres humanos são pecadores, com apenas uma
diferença: uns são flagrados em seu erro, e seu
pecado é descoberto e exposto para vergonha pública.
Dedos acusadores levantam-se muitas vezes para apontá-los
e condená-los; estão nus. Outros, perante os olhos
divinos, são tão pecadores como os primeiros,
mas a lepra do pecado está oculta embaixo de uma vestimenta
brilhante. Podem passar pela vida sem que nunca ninguém
descubra seu erro. Estão vestindo roupas finas, mas infelizes,
desprezados, vazios por dentro, como Zaqueu.
Esses dois
grupos precisam de Jesus. Precisam entender que aos olhos da
igreja e da sociedade podem ser diferentes, mas são iguais
aos olhos de Deus.
Zaqueu procurava
ver "quem era Jesus". Estava certo. Vivia uma vida
de pecado, usava para proveito próprio a posição
que o governo tinha lhe confiado, mas estava certo em sua busca.
Cristianismo não é moralismo. A primeira preocupação
não deveria ser o que farei ou o que não farei
e sim quem é Jesus, a quem amarei e a quem servirei?
No caminho
de Damasco, a primeira pergunta de São Paulo não
foi: "Que queres que eu faça?", mas sim, "Quem
és, Senhor?"
Cristianismo
nunca foi apenas o cumprimento dos quês da igreja, mas
acima de tudo fidelidade ao Quem, àquEle que nos achou,
nos amou, nos perdoou, e nos transformou.
Zaqueu estava
certo. Procurava saber quem era Jesus, mas não podia,
por causa da "multidão". Qual era a grande
dificuldade? Sua pequena estatura? Seu peso? Sua raça?
Sua posição social? O que fazia sentir-se indigno?
Sua pouca ou muita instrução? Não, isso
nunca foi problema para chegar a Jesus. Era a multidão
que não lhe permitia aproximar-se do único capaz
de preencher-lhe o coração e transformar-lhe a
vida.
Você
já percebeu que durante o ministério de Cristo
na Terra, as multidões sempre atrapalharam a obra da
redenção? Lembra do paralítico que um dia
precisava desesperadamente de Jesus para ser curado, mas não
podia chegar perto dEle por causa da multidão? Os amigos
tiveram que fazer um buraco no teto para que pudesse chegar
ao Salvador.
Já
leu a história da mulher com fluxo de sangue que teve
que abrir caminho em meio à multidão para poder
tocar o manto de Cristo?
Consegue
imaginar o cego que precisava de visão, clamando em alta
voz: "... Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia
de mim!" (Lucas 18:38)
As multidões
ordenaram-lhe guardar silêncio, mas ele continuou gritando.
As multidões
sempre se consideraram fiscais da salvação. "Você
não, porque é leproso." "Você
sim, passe adiante." "Você espere, está
imundo; primeiro tome um banho, está cheirando mal, para
chegar perto de Jesus."
Certo dia
a multidão queria impedir que as crianças se aproximassem
do Mestre. Então a voz doce de Jesus disse: "...
Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais;
porque dos tais é o reino de Deus" (Marcos 10:14).
Multidões!
Deus tenha misericórdia das multidões que andam
com uma vara de medir a fé e dizer quem é digno
e quem não é. Que Deus nos ajude a mostrar ao
mundo quem é Jesus. Que Deus nos ensine a tomar a mão
dos que se sentem derrotados, tristes, frustrados e rejeitados.
Que nos mostre como segurar o braço dos que pensam que
nunca conseguirão. Que nos ajude a amá-los, a
compreendê-los, a levá-los a Jesus.
Zaqueu sentia-se
indigno e pecador. Porém, a multidão o fez sentir-se
mais indigno e pecador ainda. Então o homem rico de Jericó
pensou que o melhor seria ficar de fora e limitar-se a olhar
a Jesus de longe. Foi aí que caiu no erro de muitos hoje,
que pensam que cristianismo é seguir a Jesus de longe.
Cristianismo,
meu amigo, é um relacionamento diário e permanente
com Jesus. Não importa se a multidão dificulta
sua aproximação dEle. Faça como o paralítico,
que entrou pelo teto, ou como a mulher com o fluxo de sangue,
que abriu espaço entre a multidão, ou então
clame como o cego: "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia
de mim!" Mas não fique em cima da árvore.
Não existem desculpas para ficar longe, na passividade
de um sicômoro ou na indiferença de quem vê
Jesus passar. Cristianismo é compromisso com Jesus, é
envolvimento com Sua igreja, é a participação
de Sua missão. Cristianismo nunca foi contemplar Jesus
comodamente de um sicômoro, enquanto se ruminam mágoas
e ressentimentos e se é consumido por lembranças
tristes que a multidão imprimiu dolorosamente em sua
vida. Não, cristianismo é chegar perto de Jesus,
apesar da multidão.
Jesus atravessava
a cidade seguido pela multidão, e lá estava Zaqueu
em cima de um sicômoro. Por que será que os homens
estão sempre plantando árvores para ficar em cima
vendo Jesus passar? Zaqueu estava em cima de um sicômoro.
Mas podia ter sido uma árvore de preconceitos, temores
ou dúvidas. Quem sabe uma árvore de mágoas,
ressentimentos ou simplesmente de orgulho e incredulidade. Tanto
faz.
De repente,
Jesus parou e, em meio a tanta gente, olhou para Zaqueu: "...
Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convêm pousar em
tua casa" (Lucas 19:5).
Tenho tentado
muitas vezes imaginar aquela cena. Imagino Zaqueu olhando de
um lado para outro, desconcertado, querendo que Jesus estivesse
falando com ele, mas com medo de receber uma resposta negativa
ao perguntar:
- É
comigo, Senhor? Não está equivocado? Eu sou Zaqueu,
um ladrão, um homem injusto. É comigo que vai
jantar esta noite?
Você
já pensou, meu amigo, que naquele dia havia milhares
de pessoas junto a Jesus? Centenas de homens e mulheres que
lutavam um contra o outro por um lugar especial perto de Jesus?
Cada um sentindo-se com mais direito do que o outro, e de repente
o Mestre olha para quem não esperava nada, para quem
se sentia indigno, insignificante, perdido entre os galhos de
um sicômoro, e o chama pelo nome: "Zaqueu"?
Assim são as coisas com Jesus. Para Ele não existem
multidões, existem pessoas. Para Ele você não
é apenas um produto ou um número na estatística.
Você é gente. Ele se preocupa com você, com
seus sentimentos, com seus sonhos, alegrias e tristezas. Ele
chora com sua dor e se alegra com seus sorrisos. Você
é tão importante para Ele que um dia Ele deixou
tudo e veio a este mundo para buscá-lo. Ele sabe seu
nome, onde você mora, conhece suas ansiedades, sabe que
você pode estar tentando ser um homem resistente ao apelo
divino, dizendo para si: "Eu só quero vê-Lo
de longe." Mas na realidade você é um homem
solitário e sincero que precisa dEle como todo ser humano.
- É
comigo, Senhor? - você pergunta.
- Sim, é
com você, Henrique, Isaura, Francisco, Aparecida, é
com você mesmo.
- Mas, Senhor!
Eu fumo, bebo, tenho uma vida irregular, eu sou indigno.
- Não
importa, é com você. É por você que
Eu vim, Eu o amo não pelo que você faz ou deixa
de fazer, mas pelo que você é: um ser humano maravilhoso,
apenas isso.
Nunca terei
palavras para agradecer a Deus, porque um dia, entre bilhões
de seres humanos, o Senhor Jesus Se deteve no caminho da vida
e olhou para mim. Não me achou em cima de uma árvore.
Achou-me atrás de um púlpito, com uma régua
na mão para medir o "cristianismo" da minha
igreja sem medo de apontar o pecado "pelo nome", pregando
sobre o amor de Deus sem jamais tê-lo experimentado, vestindo
a imagem de um jovem pastor muito preocupado em descobrir os
"pecados ocultos", para levar à igreja a reforma.
E o Senhor
Jesus, com sua voz mansa disse: - Filho, desce dessa árvore
de apóstolo da reforma. Quero ficar com você, quero
que Me conheça de verdade e compreenda que as coisas
não são assim como você pensa. Quero que
saiba que não é com o regulamento numa mão
e a vara na outra que se reformam as vidas.
A maneira
como Jesus tratou a Zaqueu é a maneira como Ele quer
levar Sua igreja ao reavivamento e à reforma completa.
Veja que
Jesus não olhou para Zaqueu e disse:
- Zaqueu,
você é um ladrão. O que você faz é
uma vergonha. Estou disposto a lhe dar o privilégio de
Me hospedar, mas antes quero que você confesse publicamente
que é ladrão, e que devolva o dinheiro que roubou
dos outros.
Eu imagino
que era isso que a multidão esperava. Mas Jesus não
fez nada disso. Havia algo de maravilhoso com Ele. Os pecadores
se sentiam amados na Sua presença. Quer dizer que Ele
apoiava a vida errada dos homens? Não. Claro que não.
A conduta deles é que mudava. Mas Ele nunca os fazia
sentir mais pecadores do que já eram. Não precisava
agredi-los para inspirar neles o desejo de mudança de
vida.
E agora
vejamos a atitude de Zaqueu. O que foi que ele fez? Será
que ele desceu do sicômoro e disse para Jesus:
- Obrigado,
Senhor, por lembrar-Te de mim. Eu nunca poderei agradecer-Te
pelo fato de olhares para mim em meio a tanta gente. Agora fica
um pouco aqui. Deixa-me ir e arrumar a casa. As coisas não
estão bem por lá. Deixa-me fazer uma faxina completa
e preparar uma refeição gostosa, então
voltarei e iremos juntos.
Foi isso
que Zaqueu falou? Não. Por que não? Porque se
pudéssemos deixar Jesus aguardando para primeiro limpar
a casa não precisaríamos dEle.
Aqui está
envolvido o maravilhoso princípio da justificação,
que é pela fé, e da santificação,
que também é pela fé. É Ele que
limpa a vida. É Ele que coloca as coisas em ordem. É
Ele que corrige, que conserta, que purifica. Por favor, nunca
cometamos a tolice de agradecer a Deus pelo perdão e
depois, sozinhos, tentemos colocar a vida em ordem.
O que foi
que Zaqueu fez? Acho que ele colocou sua mão na mão
de Jesus. Era um homem solitário, rejeitado pela sociedade
e que precisava que alguém lhe restaurasse o senso de
humanidade. Ali estava uma mão estendida com amor, e
ele agarrou-se a ela, apesar de ser um publicano, um ladrão,
um pecador.
A multidão
não ficou contente com a atitude de Jesus. "Ah!",
pensaram no coração, "Ele parecia ser o Messias,
mas em lugar de condenar os pecadores, recebe-os, junta-Se a
eles e não os repreende".
Você
já pensou que enquanto Jesus esteve na Terra nunca condenou
os derrotados, os marginais, os ladrões ou as prostitutas?
As poucas vezes que Ele condenou alguém, foram aqueles
que achavam que estava tudo bem com eles, aqueles que se consideravam
os guardiões da fé, a norma de vida de seus semelhantes.
Graças
a Deus porque Jesus veio a este mundo buscar os perdidos, os
derrotados, os cansados de lutar sem nunca conseguir. Se você
é um deles, alegre-se e louve o nome do Senhor, porque
foi por você que Ele veio.
Ele o está
procurando, não importa onde você esteja, onde
se escondeu, ou para onde fugiu. Um dia a voz de Jesus o alcançará
e o chamará pelo seu nome, e talvez isso esteja acontecendo
neste momento.
Você
está tremendo em cima do sicômoro da vida, sente-se
rejeitado, triste, frustrado? Sente que nunca vai conseguir?
Ouça a voz do Mestre dizendo:
- Filho,
Eu amo você. Desça daí, quero ficar com
você, quero entrar em sua vida e colocar cada coisa em
seu lugar. Quero limpar o que tem que ser limpo, consertar o
que tem de ser consertado.
Olhe agora
para Zaqueu. Nenhuma palavra. Apenas caminhavam juntos, de mãos
dadas, e aquele laço de amor penetrou na vida daquele
publicano. Enquanto caminhavam juntos, a vida de Jesus, Seu
poder, Sua vitória, transmitiu-se para o pobre homem,
gerando nele o desejo de mudar de vida. Depois Zaqueu levantou-se
e disse: "... Senhor, eis que eu dou aos pobres metade
dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém,
o restituo quadruplicado" (Lucas 19:8).
Este é
o resultado inevitável de estar em Jesus e andar com
Ele. É impossível andar com Jesus e conviver com
o pecado ao mesmo tempo. Essas coisas não combinam.
Que dia
extraordinário aquele! No início, Zaqueu não
passava de um homem solitário, frustrado e vazio, apesar
de sua invejável posição social e financeira.
No fim do dia era um homem feliz, completo, transformado em
Cristo.
Zaqueu
conhecia os dois lados da vida. O desespero e a esperança,
o vazio e a plenitude, a tristeza e a alegria, a condenação
e o perdão, a derrota e a vitória. Certamente
Zaqueu podia dizer: "Jesus, Tu és a Minha Vida".
ORAÇÃO Senhor,
muito obrigado. Obrigado porque um dia me achou em cima da árvore
que plantei para permanecer indiferente a Ti. Obrigado porque
neste momento posso ouvir Tua voz me chamando pessoalmente.
Estou respondendo ao Teu chamado. Abençoa-me sempre.
Em nome de Jesus. Amém. |