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TERIA
CORAGEM DE NÃO AMÁ-LO?
Pr.
Alejandro Bullón
"Anos atrás, na faculdade onde estudei, fui testemunha
de uma bonita história de amor. Um dos rapazes mais feios
do seminário casou-se com uma das moças mais lindas.
Ela era
uma das moças que chegaram naquele ano. Os rapazes mais
charmosos, mais bonitos, mais espertos e comunicativos foram
desfilando um a um tentando conquistá-la, sem sucesso.
Um dia um
colega procurou-me e disse:
- Estou
com problemas.
- O que
foi?
- Estou
amando.
- Parabéns!
Isso é fabuloso, isso não é um problema.
- Espere
um minuto - disse ele - estou falando daquela garota.
Cortei o
sorriso e murmurei:
- Bom, nesse
caso, acho que é um problema. Você sabe, os rapazes
mais charmosos e bonitos do colégio nada conseguiram.
Você acha que ela vai olhar para você?
- Eu sei
- disse o rapaz triste - eu sei disso, mas o que posso fazer
se eu a amo?
Os meses
foram passando e o amor foi crescendo em silêncio no coração
do rapaz.
Na metade
do ano, de repente, correram boatos de que ela abandonaria a
faculdade porque não conseguia pagar as mensalidades.
O nosso amigo apresentou-se ao gerente da Universidade e ofereceu-se
para pagar as contas da moça com o estipêndio que
ele tinha ganhado vendendo livros. Naturalmente, isto significava
para ele a perda de um ano de estudos.
O gerente
tentou dissuadi-lo da idéia. Mas não conseguiu.
"O dinheiro é meu e eu quero pagar as contas dela.
E por favor, não gostaria que ela ficasse sabendo quem
pagou."
Assim ele
abandonou o colégio naquele ano para vender mais livros
e continuar estudando no ano seguinte.
Alguns meses
depois recebi dele uma carta comovente:
- Você
diz que não vale a pena o sacrifício que estou
fazendo, que ela nunca olhará para mim, o que você
não sabe é que eu a amo e não posso permitir
que ela perca um ano de estudos. Eu a amo. Não importa
se ela nunca olhará para mim. Eu sou feliz fazendo isto
por ela.
No ano seguinte
ele retornou à faculdade. Seu amor estava mais maduro.
Tinha certeza do que sentia e um dia criou coragem e falou com
ela. Abriu o coração e declarou seus sentimentos.
Foi um momento triste. Ela não só recusou a proposta
como o tratou mal.
Alguém
procurou a moça e disse para ela:
- Olha,
você tem o direito de dizer não, mas podia ter
sido mais delicada com ele. Não precisava magoá-lo.
É verdade que ele é um garoto simples, quase insignificante,
sem qualquer atributo físico, inexpressivo, mas ele ama
você de tal modo que no ano passado perdeu um ano de estudos
para que você não precisasse abandonar a faculdade,
e tudo isso sem querer que você soubesse, sem esperar
nada, apenas porque ama você".
A moça
ficou chocada. Chorou. Perguntou ao gerente se era verdade e,
ao ter a confirmação de tudo, sentiu-se ferida
e humilhada.
Meses depois
o rapaz anunciou:
- Estou
namorando ela.
Todo mundo
começou a pensar: "É por pena", "por
compaixão". Mas um dia ela disse uma coisa muito
bonita:
- Quando
descobri o que ele tinha feito por mim, senti-me magoada, chateada,
ofendida. Mas a medida que o tempo foi passando, comecei a pensar
com mais calma e perguntei pra mim: "Será que neste
mundo poderei achar um rapaz que me ame tanto, a ponto de sacrificar,
em silêncio, um ano de seus estudos sem esperar nada,
sem querer nem mesmo que eu soubesse do sacrifício que
ele estava fazendo?" Aí cheguei a uma conclusão:
"Como teria coragem de não amar alguém que
me ama tanto?"
Essa frase
merece ser emoldurada em ouro: "Como teria coragem de não
amar alguém que me ama tanto?"
Observe
isso que a Bíblia diz: "Verdadeiramente ele tomou
sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre
si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído
pelas nossas iniqüidades: o castigo que nos traz a paz
estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos
nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um
se desviava pelo seu caminho: mas o Senhor fez cair sobre ele
a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas
não abriu a sua boca: como um cordeiro foi levado ao
matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores,
ele não abriu a sua boca" (Isaías 53: 4-7).
Quando Isaías
registrou estas palavras, parece que ele duvidava que as pessoas
entendessem a profundidade do amor de Deus. Por isso começa
o capítulo 53 perguntando: "Quem deu crédito
a nossa pregação?"
O que realmente
aconteceu na cruz do Calvário? Por que Jesus, o Rei do
Universo, aceitou pacientemente ser levado como uma ovelha ao
matadouro? Que mistério é esse?
No dia em
que compreendermos o que realmente aconteceu naquela tarde que
o Senhor Jesus morreu na cruz do Calvário, sem dúvida,
também perguntaremos: como teria coragem de não
amar alguém que me ama tanto?
Mas o que
aconteceu lá?
Voltemos
nossos olhos ao Jardim do Éden. Quando criou o ser humano,
Deus deu-lhe uma ordem: "...De toda a árvore do
jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência
do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia
em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis
2:16 e 17).
Nesta ordem
estava envolvido o princípio de retribuição.
Noutras palavras, a obediência merece a vida e a desobediência
merece a morte. O homem pecou. Todos nós pecamos e em
conseqüência, a nossa recompensa devia ser a morte.
Tínhamos que morrer. "Porque o salário do
pecado é a morte..." (Romanos 6:23).
Mas acontece
que o ser humano não quer morrer. Ele pede perdão.
"Pai, perdoa-me" - ele clama. Sabe o que ele está
querendo dizer? "Pai, eu pequei, mereço morrer,
mas por favor, não quero morrer".
Esta súplica
do homem cria um conflito para Deus porque Ele é Deus
e Sua palavra não muda. Se o homem pecou, tem que morrer,
mas Deus ama o ser humano, não quer permitir que o homem
morra. O que fazer? Se existiu pecado tem que existir morte,
"Sem derramamento de sangue não há remissão".
O homem
não quer morrer, então alguém tem que morrer.
Alguém tem que pagar o preço do pecado no lugar
do ser humano. É aí que aparece a figura majestosa
do Filho. Ele diz: "Pai, o homem merece a morte porque
pecou, mas antes de cumprir a sentença quero ir a Terra
como homem e viver como ele; quero assumir sua natureza, experimentar
seus conflitos, suas tristezas, suas alegrias e tentações".
Foi por isso que Cristo veio a este mundo, como uma criança.
Ele não
apenas parecia homem. Ele era um homem de verdade. Como você
e eu. Teve as mesmas lutas que você tem, sentiu-Se às
vezes sozinho e incompreendido como você. Experimentou
suas tentações e é por isso, e não
simplesmente porque é Deus, que Ele está mais
pronto a amá-lo e compreendê-lo do que a julgá-lo
e condená-lo.
O Senhor
Jesus viveu neste mundo 33 anos. A Bíblia diz que: "...
em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4:15).
Ora, se
Ele viveu neste mundo como homem, e como homem foi tentado e
não pecou, pelo princípio de retribuição
Ele merece a vida.
Agora vamos
imaginar um diálogo entre Cristo e Seu Pai.
- Pai -
disse Cristo depois de ter vivido neste mundo - Eu vivi na Terra,
como um ser humano e fui tentado em tudo mas não pequei.
Como ser humano eu ganhei o direito à vida. O homem,
pelo contrário, pecou e merece a morte. Agora, Pai, o
princípio de retribuição não impede
que haja uma troca. Sendo assim, a morte que o homem merece,
quero morrê-la Eu e a vida que Eu mereço porque
não pequei, quero oferecê-la ao homem.
Foi isso
o que aconteceu lá na cruz do Calvário. Uma troca
de amor. Alguém morreu em nosso lugar. Alguém
morreu para nos salvar.
Uns dias
antes da morte de Cristo, a polícia de Jerusalém
prendeu um marginal chamado Barrabás. O delinqüente
foi julgado e condenado à pena de morte. Devia ser cravado
numa cruz. Esta era uma morte cruel. Ninguém morre por
causa de feridas nas mãos e nos pés. A morte por
crucificação é lenta e cruel. O sangue
vai se acabando gota a gota. Às vezes o marginal ficava
cravado vários dias. O sol de dia e o frio a noite, a
fome, a sede e a perda paulatina de sangue iam acabando pouco
a pouco com sua vida.
Depois do
julgamento e da condenação de Barrabás,
as autoridades chamaram um carpinteiro para preparar a cruz
que seria dele. Ali estava o delinqüente e ali estava sua
cruz, preparada especialmente para ele, com suas medidas, com
seu nome. Mas naquele dia os judeus prenderam Jesus. Ele também
foi julgado e condenado. A história conta que um homem
chamado Pilatos, tentando defendê-lo, apresentou perante
o povo Cristo e Barrabás e disse: "...Qual quereis
que vos solte? Barrabás ou Jesus, chamado Cristo? ...
E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei
então com Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos:
Seja crucificado" (Mateus 27:17, 21 e 22).
Acho que
se alguém entendeu alguma vez na plenitude do sentido
a expressão, "Cristo morreu em meu lugar",
foi Barrabás. Ele não podia acreditar. Talvez
beliscasse sua pele para saber se realmente estava acordado.
Ele, o marginal, o homem mau, estava livre. E aquele Jesus,
manso e simples, que só viveu semeando amor, devolvendo
saúde aos doentes e vida aos mortos estava ali para morrer
em seu lugar. Eu imagino que Barrabás pensou: "Eu
nunca terei palavras para agradecer a Cristo por ter aparecido.
Se Ele não tivesse vindo, eu estaria condenado irremediavelmente".
Já
não havia mais tempo para chamar o carpinteiro e preparar
uma cruz para Cristo. Além do mais, ali havia uma cruz
vaga, apesar de ter as medidas de outro, o nome de outro, e
de ter sido preparada para outro... Naquela tarde, meu amigo,
quando Cristo subiu o monte do Calvário carregando uma
pesada cruz - eu gostaria que você entendesse bem isto
- aquela tarde triste, Jesus estava carregando uma cruz alheia,
porque nunca ninguém preparou uma cruz para Cristo. Sabe
por quê? Simplesmente porque Ele não merecia uma
cruz. Aquela tarde Cristo estava carregando minha cruz. Era
eu quem merecia morrer, mas Ele me amou, me amou tanto que decidiu
morrer em meu lugar e assim me oferecer o direito à vida.
Finalmente
os homens chegaram lá no topo da montanha. Deitaram a
cruz no chão e com enormes pregos atravessaram as mãos
e os pés de Jesus. A cruz foi levantada e com o peso
do corpo Suas carnes se rasgaram. Um soldado tinha lhe colocado
na fronte uma coroa de espinhos. O sangue escorria lentamente
pelo rosto. Um outro soldado lhe feriu o lado com uma lança.
Ali estava o Deus-homem morrendo por amor. O sol ocultou seu
rosto para não ver a miséria dos homens, o Céu
chorou numa torrente de chuva. Até as aves dos céus
e as bestas do campo corriam de um lado para outro sentindo
em sua irracionalidade que alguma coisa estranha estava acontecendo.
Só o homem, a mais bela e inteligente das criaturas,
parecia ignorar que naquele instante seu destino eterno estava
em jogo.
Horas depois,
quando os judeus voltaram para casa, lá naquela montanha
solitária, em meio a dois ladrões, pendia agonizante
o maravilhoso Jesus, que estava entregando Sua vida pela humanidade.
Alguma vez
você se deteve a pensar no significado daquele ato de
amor? Não foi um louco suicida que morreu na cruz. Não
foi um revolucionário social que pagou por sua ousadia.
Era um Deus feito homem e como homem tinha medo de morrer. Possuía
o instinto de conservação. Ele tinha tanto medo
de morrer que, na noite anterior, no Getsêmani, disse
a Seu Pai: "... Pai, se é possível, passe
de mim este cálice; todavia, não seja como eu
quero, mas como tu queres" (Mateus 26:39).
E eu tenho
certeza que Deus disse:
- Ainda
está em tempo de voltar atrás, Meu Filho.
A vida de
toda a humanidade estava em Suas mãos. Ele tinha medo
de morrer, mas Seu amor era maior do que o medo, maior do que
a vida. Como abandonar o homem no mundo de desespero e de morte?
É isso que talvez eu nunca consiga entender: "Por
que Ele me amou tanto? Você entende o significado de sua
vida?" Você é a coisa mais importante que
Cristo tem. Ele o ama de tal maneira que mesmo tendo medo da
morte, aceitou-a para vê-lo feliz. Não apenas para
vê-lo tornar-se membro de uma igreja, mas para vê-lo
realizado e feliz.
O homem
pecou e merece morrer. Mas diz a Deus:
- Pai, perdoa-me.
Em outras
palavras:
- Eu não
quero morrer.
- Filho,
Eu não posso mudar uma lei: "O salário do
pecado é a morte". Não tem outra saída
- disse Deus.
- Pai, perdoa-me,
por favor, perdoa-me - continua clamando o homem em seu desespero.
O Pastor
H. M. S. Richards conta uma pequena história de quando
era garoto.
Ele diz
que gostava de pular a cerca e colher as maçãs
do vizinho. Um dia a mãe o chamou e mostrando-lhe uma
vara verde, disse:
- Você
está vendo esta vara verde?
- Sim, mãe.
- Se você
colher mais uma maçã do vizinho, vou castigá-lo
cinco vezes com esta vara, entendeu?
- Sim, mãe.
Os dias
passaram. As maçãs estavam cada dia mais vermelhas
e o menino não conseguiu resistir à tentação.
Pulou a cerca e comeu maçãs até ficar satisfeito.
O que ele não podia esperar era que ao voltar para casa
a mãe estivesse esperando-o com a vara verde na mão.
Tremeu. Sabia o que iria acontecer. Quase sem pensar suplicou:
- Mãe,
me perdoe.
- Não,
filho - disse a mãe - eu fiz uma promessa e terei que
cumpri-la.
- Mãe,
por favor, eu prometo que nunca mais tornarei a fazer isso.
- Não
posso filho, você terá que receber o castigo.
- Por favor
mãe, por favor - continuou suplicando com olhos lacrimejantes.
Que mãe
pode ficar insensível vendo o filho amado suplicando
perdão?
Ela tomou
entre as suas, as mãos do filho e perguntou:
- Você
não quer receber o castigo?
- Não,
mãe.
- Então,
só existe uma saída meu filho.
- Qual é?
A mãe
estendeu a vara para ele e disse:
- Segura
a vara meu filho. Em lugar de eu castigar você com esta
vara você vai me castigar. O castigo tem que se cumprir,
porque a falta existiu. Você não quer receber o
castigo, mas eu o amo tanto que estou disposta a receber o castigo
por você.
"Até
aquele momento eu tinha chorado com os olhos - contou Richards
- naquele momento eu comecei a chorar com o coração.
Como teria coragem de bater na minha mãe por um erro
que eu havia cometido?"
Você
entendeu a mensagem? É isso que acontece entre Deus e
nós quando, depois de pecar, suplicamos perdão.
Ele olha com amor para nós e diz:
- Filho,
você pecou e merece a morte, mas você não
quer morrer. Então, só resta uma saída,
Meu filho.
- Qual é?
- perguntamos ansiosos.
- Em lugar
de você morrer pelo pecado que cometeu, estou disposto
a sofrer a conseqüência de seu erro - responde Ele
com sua voz mansa.
Richards
não teve coragem de castigar sua mãe por um erro
que ele tinha cometido. Mas nós tivemos coragem de crucificar
o Senhor Jesus na cruz do Calvário. Continuamos crucificando-O
cada dia com as nossas atitudes. E Ele não diz nada.
Como um cordeiro é levado ao matadouro e como ovelha
muda diante dos Seus tosquiadores, não abre a boca, não
reclama, não exige direitos, não pensa em justiça.
Apenas morre, morre lentamente consumido pelas chamas de um
amor misterioso, incompreensível, infinito.
Não,
eu nunca terei palavras para agradecer o que Ele fez por mim.
Eu nunca poderei entender a plenitude de Seu amor por mim. Mas
ao levantar os olhos para a montanha solitária e ver
pendurado na cruz um Deus de amor, meu coração
se enternece e exclamo como a garota da faculdade: "Como
teria coragem de não amar alguém que me ama tanto?"
E quanto
a você? Correrá aos braços de Jesus dizendo:
"Senhor, porque me amas tanto? Estou aqui e Te entrego
a minha vida, ou o que resta dela. Te entrego meu coração
manchado de egoísmo. Toma-o, Senhor, e transforma-o."
ORAÇÃO
Querido
Pai, neste momento estou Te abrindo meu coração
porque quero dizer: "Muito obrigado por Teu sacrifício."
Abençoe minha vida. Em nome de Jesus. Amém. |